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5 Caras que eu enfrentei – A Lista, por Chris Jericho

Chris Jericho fala sobre os 5 melhores lutadores que já enfrentou na carreira

O texto a seguir foi originalmente publicado por Chris Jericho no site The Players Tribune, sendo traduzido pelo Wrestlemaníacos para o público brasileiro. Os interessados em ler a coluna original em inglês podem acessar este link.

Eu tive minha boa parcela de listas ao longo dos anos, mas nada como isso. Uma lista pessoal dos meus favoritos adversários durante a minha carreira? Isso realmente não soa como algo meu, soa?

Essa é a beleza da lista, entretanto – pode ser qualquer coisa que você queira. Lista de alimentos do supermercado, nomes de crianças, piores inimigos. Pode ser longa ou curta, formatada com números ou pontos essenciais. Vale tudo.

Então aqui vamos nós, Jerichoholics. E listoholics. Listofilícos. Sei lá. Essa é para vocês. Divirtam-se.

Último Dragon – WAR, 7 de Julho de 1995

Eu conheci Último em 1993, quando nós dois estávamos na CMLL – a maior empresa de wrestling no México naquela época. Assim que começamos a trabalhar juntos, todos comentaram sobre como nós tínhamos uma ótima química no ringue. Alguns anos depois nós nos reunimos no Japão, quando nós dois estávamos trabalhando para uma empresa chamada WAR.

WAR não possuía a exposição que a New Japan Pro Wrestling possui, mas o programa entre eu e Último, começando com ele me vencendo pelo cinturão da NWA em 1994, foi um dos mais importantes na minha carreira.

Nós dois trocaríamos vitórias e teríamos ótimas lutas durante o período de um ano. Nós até mesmo fizemos as lutas principais de alguns shows como junior heavyweights (pesos leve), o que nos deu um aumento de confiança, já que junior heavyweights nunca apareciam nos main events. Último tinha um estilo único e acrobático, mas por alguma razão nós dois combinamos desde o início – parece que era impossível para nós dois ter uma luta ruim.

Lutamos no show de terceiro aniversário da WAR em Julho de 1995, e essa foi a luta que me colocou na ECW e na WCW. Mick Foley estava na audiência naquela noite e convenceu Paul Heyman a olhar uma fita de vídeo de mim e de Último. Paul me trouxe e eu eventualmente comecei a lutar na ECW em 1996.

Essa mesma fita de vídeo foi das mãos de Paul Heyman para as mãos de Jimmy Hart, que deu a Paul Orndorff, que deu ao presidente da WCW, Eric Bischoff. É incrível o que uma fita cassete pode fazer com uma carreira.

ÚItimo acabaria eventualmente indo para a WCW e nós continuaríamos tendo ótimas lutas, mas eu sempre irei me lembrar dos nossos melhores momentos trabalhando juntos no Japão.

Dean Malenko – Slamboree, 1998

Dean é um grande amigo. É um dos caras mais engraçados e tranquilos do mundo.

E aí você enfrenta ele e é como se ele se tornasse uma pessoa totalmente diferente.

No lado técnico do wrestling, Dean sempre foi o melhor que alguém pode ser. Ele é incrivelmente suave e esperto no ringue. Mas o que fez nossa história juntos em 1998 funcionar tão bem era quão diferentes nossass personalidades eram na televisão.

Depois de ganhar o Cruiserweight championship dele, ele ficou um mês parado para se recuperar de uma contusão, e eu estava fazendo promos no ringue por conta própria por um mês. Eu carregava um poster grande do Dean comigo, desafiando-o para uma luta mesmo sabendo que ele não estava na arena, dizendo coisas sobre Dean e sua família – Realmente, eu podia fazer o que quisesse, porque naquele ponto da minha carreira na WCW, ninguém dava a mínima para mim ou o que eu estava fazendo.

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A história com Dean acabou me levando a criar algumas das promos preferidas dos fãs, como o “homem de 1,004 holds”, “Vítima de conspiração” e várias outras. Uma vez eu trouxe uma prótese de uma perna que eu afirmava ser do Rey Mysterio. Eu tenho boas memórias de tudo aquilo.

A melhor parte de nosso programa juntos chegou ao Slamboree de 1998, quando eu estava destinado a enfrentar o vencedor de uma battle royal entre 14 cruiserweights. Quando a luta terminou e o lutador mascarado Ciclope foi declarado o vencedor, ele se desmascarou no meio do ringue revelando ser o Dean. Foi um dos melhores retornos surpresas, e uma das melhores narrações do Tony Schiavone de sempre.

No fim das contas a rivalidade não nos elevou na WCW, mas foi essencial para o desenvolvimento do meu Jericho personagem. Quando eu fui para a WWE alguns anos depois, eu estava pronto para levar a outro nível.

Shawn Michaels – No Mercy, 2008

A intensidade dessa rivalidade é o que a diferencia das outras.

 Era para ser apenas uma luta – um programa de uma semana-, mas Shawn e eu sabíamos que poderíamos dar muito mais do que isso.

Nós começamos a trabalhar juntos em 2003, e eu realmente adorava isso, e acabei tendo uma bela luta com ele na Wrestlemania XIX. Mas 2008 foi totalmente diferente. Começou com Shawn aposentando Ric Flair, e a história que contamos a partir dali tinha uma vida própria.

Todas as vezes em que discutiamos sobre como faríamos o programa, as coisas evoluíam e trazíamos um passo adiante na TV. Não era o mesmo Jericho que ficou popular na WCW, mas si um lutador mais sinistro e sério.

Era simplesmente uma rivalidade brutal e violenta. Tivemos uma bela luta no Great American Bash, e pelos dois meses continuamos rodando – tivemos um anúncio de aposentadoria, a esposa do Shawn se envolveu, e eu tive tanto momentum com a rivalidade que quando ela finalmente culminou numa Ladder Match no No Mercy, o título mundial estava em jogo.

O programa inteiro durou pouco mais que sete meses.

Daqui a 100 anos, Shawn ainda será falado como um dos maiores performers da história do pro-wrestling. Poder trabalhar com ele de uma maneira tão grande em 2008 é algo que me dá sempre orgulho.

Eu ainda estou esperando a WWE lançar uma edição de Blu-ray sobre minha rivalidade com Shawn e a rivalidade entre Undertaker e Edge que estava acontecendo no Smackdown ao mesmo tempo (WWE nunca mencionou planos para lançar tal Blu-ray, mas eu continuo aguardando por isso)

Rey Mysterio – The Bash, 2009

Era uma história básica – eu tentando tirar a máscara do Rey. Um bully tentando tirar o dinheiro do lanche de uma criança.

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Rey e eu nos conhecemos de anos, tivemos oportunidade de trabalhar juntos no México, no Japão, algumas vezes na WCW – mas nunca tivemos a oportunidade de fazer um trabalho de longo prazo juntos. Quando tivemos a oportunidade, nós dois já éramos veteranos, e queríamos uma história que girasse em torno das lutas e não de muitas gimmick supérfluas .

No méxico, máscaras são uma grande parte da herança da lucha libre, mas ainda era algo pouco familiar para o público americano. Então Rey e eu não inventamos nada novo durante nossa rivalidade, nós tentamos manter tudo fora do ringue simples. Toda semana, toda vez que estavamos no ringue, eu estaria tentando encontrar maneiras de tirar a máscara da cara dele.

Começando com uma fatal four way match no Backlash, Rey e eu fizemos uma sequência de quatro lutas de Pay Per View que contavam uma grande história. Finalmente, foi uma luta de apostas entre máscara e título no Bash de 2009 que serviu como grande final.

Na superfice, parecia que nós dois não combinariamos em estilos, mas esse é mais um componente que faz trabalhar com o Rey algo tão legal. Nós dois estavamos constantemente mudando no ringue, e isso nos trouxe o que tinhamos de melhor durante aquele período de 4 meses.


Kevin Owens – Wrestlemania 33, 2017

 

Quando tudo foi dito e feito, era como se nós fossemos de um vídeo do David Lee Roth de 1980 para o casamento vermelho do Game of Thrones.

Esse aqui teve de tudo – um bode, um burro, um festival, Goldberg – todos os ingredientes de um clássico. Mesmo tendo acontecido a pouco tempo,eu considero que definitivamente o trabalho que fiz com Kevin Owens foi um dos melhores da minha carreira.

Kevin era relativamente novo para a WWE quando começamos trabalhando juntos, mas era um dos mais – se não o mais – reconheível cara da cena independente antes de chegar. Então quanto se tratava de wrestling, eu sabia que ele era bom.

Mas foi mais um sentimento intuiti que qualquer coisa , eu acho, que me fez querer trabalhar com ele. Nós estávamos na Inglaterra fazendo dupla e quando vencemos ós celebramos como se tivessemos vencido o Super bowl. Ele começou a gritar sobre eu ser o G.O.A.T.  Eu disse algo sobre ele ser um burro… e foi tudo engraçado. Funcionava. E a gente levou isso adiante e trabalhamos com isso.

Era meio que o oposto de quando eu estava trabalhando com Shawn Michaels. Não tinha uma batalha de ódio onde os dois estavam atrás de sangue. Eram dois amigos batendo em caras, fazendo listas, dando presentes um ao outro. Teve um ponto em que nós colocamos os dois cinturões principais do Raw e realmente parecia que a gente estava roubando o show toda semana. A melhor coisa sobre Kevin é sua habilidade em se adaptar. Ele pode ser muito engraçado, muito sério, muito intenso, enfim, é uma versatilidade que o torna um campeão tão grandioso e interessante.

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Quando ele finalmente me atacou, o momento teve um grande elemento de surpresa, e mais importante, nós tínhamos pessoas emocionalmente investidas naquilo. Muitos corações foram quebrados naquela noite – mas de uma maneira boa. Não há muitos caras além do Kevin que poderiam fazer aquela história funcionar convincentemente.

Alguns momentos nós tivemos de bater o pé e dizer para a WWE que queríamos fazer as coisas todas as semanas. Sempre havia algum tipo de freio, mas no final de tudo eu sinto que conseguimos fazer tudo que nós realmente queríamos, e finalizamos de maneira espetacular.

There were actually quite a few moments when we had to stand our ground when we told WWE what we wanted to go out and do every week. There was always some pushback, but ultimately I feel like we got to do everything we really wanted, and finished in a spectacular fashion.

E sabe de uma coisa, essa lista era para ser só 5 cinco caras, mas eu já disse que listas não tem regras. Eu fiz mais listas que qualquer outro atleta neste site combinado. Então eu vou adicionar mais um nome para a lista enquanto estamos aqui.

Kenny Omega – Wrestle Kingdom 12 no dia 4 de Janeiro de 2018

Não importa se é a WWE, México, Japão, ou qualquer outro lugar – algumas vezes caras são tão bons que transcendem qulquer empresa que eles trabalham. Alguns caras são tão brilhantes dentro e fora do ringue que você tem que dar um passo pra trás e dizer “wow”.

Mas chega de falar de Último Dragon.

Kenny é atualmente o US Champion da New Japan Pro-Wrestling. Eu fui introduzido a ele quando o mesmo veio ao meu podcast ano passado, e desde então, observei seu crescimento de um dos mais populares lutadores da New Japan para um dos mais notáveis lutadores de qualquer promoção, incluindo a WWE. Nos últimos anos ele tem feito trabalhos incríveis na luta livre.

Então a pergunta surge “o que vem agora para Chris Jericho?” A resposta era clara para mim:

Kenny Omega

Quando este texto foi escrito a luta ainda não aconteceu, mas vai ser o mais excitante possível. Não será o tipo de luta que acontece qualquer dia. Na verdade, é o tipo de luta que quase nunca acontece. Não desde os tempos dos territórios de wrestling, onde um campeão podia entrar em outra promoção e desafiar o cara do topo pelo seu cinturão.

Mas aqui estamos. E aqui não são os territórios. Aqui é Chris x Kenny. Alpha x Omega – Wrestle Kingdom 12 no Tokyo Dome.

Tem muito mais que eu poderia dizer sobre Kenny, mas eu não preciso. Quando tivermos nosso confronto no dia 4 de Janeiro, não importa o que acontece no final do dia, será a maior luta do ano. Talvez da década.

E aí haverá muito tempo para falar sobre isso depois.

E aí está. Parabéns a todos que fizeram parte da lista. Para aqueles que não estiveram lá, melhor sorte no futuro. Ou então sei lá, tem sempre a lista dos inimigos.

Feliz ano novo a todos.

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Cobertura: NJPW Wrestle Kingdom 12

Falece Emily Dole, da serie GLOW original