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Crítica: Segunda temporada de GLOW mostra o poder feminino ainda mais forte

A segunda temporada de GLOW chegou – mesmo com pouco burburinho da imprensa – elevando a qualidade da sua primeira temporada. GLOW conseguiu manter sua leveza para quem assiste, com episódios durando cerca de 30 minutos e com um total de 10 episódios. Apesar dessa leveza, a série trata de temas pesados presentes nos dias atuais, tais como o racismo, abuso sexual e claro, o machismo que existia fortemente na década de 80.

A série mostra o seu lado feminino mais forte do que apresentou na primeira temporada. Poucos personagens masculinos ganham destaque na temporada a não ser o machista Sam Sylvia (Marc Maron), que aos poucos mostra seu lado humano, Bash Howard (Chris Lowell) que acaba se tornando um protagonista, onde tenta a todo custo elevar GLOW nos bastidores com a produção e tem grande importância nos combates já que é o narrador.

Bash acaba protagonizando algo que também gera polêmica. Por ser homossexual, tenta esconder sua opção sexual e tem que lidar com o problema de HIV. Mas tais temas não ganham grande foco, ficando apenas para o fim da temporada.

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Marc Maron, Chris Lowell, and Betty Gilpin in GLOW (2017)

Outro personagem masculino que ganha destaque, é Russell Barroso (Victor Quinaz), um câmera man contratado para filmar os shows que acaba se envolvendo com a protagonista Ruth Wilder (Alison Brie). Falando em Ruth, ela continua sua “feud” fora dos ringues com Debbie Eagan (Betty Gilpin), que devido aos acontecimentos da primeira temporada, ainda não se dão totalmente bem.

O machismo é mostrado principalmente nos primeiros episódios, com Sylvia querendo se mostrar superior por ser homem, se impondo e rebaixando “suas” lutadoras por serem mulheres. O que infelizmente era normal na época. A série acerta ao mostrar também o lado humano de Sylvia, que consegue aflorar seu lado paterno e além de se impor ao abuso sexual que as mulheres sofriam na época. Pouco a pouco a segunda temporada de GLOW consegue trazer a tona assuntos polêmicos.

Falando em abuso sexual, ele se junta ao machismo, onde produtores de televisão, achando as mulheres inferiores, tentam abusar do corpo e da inteligência da lutadoras, tentando sexo e contratos sem o consentimento das mesmas.

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Talvez tais assuntos, mesmo com o foco sendo a luta-livre, poderiam se estender com episódios mais longos, mas o que não afeta a qualidade da série.

GLOW não conseguiu ainda os holofotes de outras séries que tentam relatar a dificuldade das mulheres em mundo dominado pelo machismo, pelo menos não no Brasil. Infelizmente. GLOW é uma série de comédia que aborda assuntos sérios vividos pelas mulheres até nos dias atuais, como por exemplo a questão das mulheres ganharem menos que os homens, fora os outros problemas citados acima.

Falando de pro-wrestling, GLOW consegue agradar a quem é fã do esporte. Mesmo com pitadas de humor, propositalmente, a série mostra como são os bastidores de um show de luta-livre. O companheirismo dos lutadores, o treinamento de golpes e toda construção de uma storyline é mostrada (assim como na primeira temporada).

Algo que a série mostra também, é o preconceito com o esporte quando se trata de mulheres, onde “machos alfas” sempre estão a frente e julgando o “sexo frágil” da época. Algo que as lutadras nos dias de hoje, mas claro, não com tanta frequência.

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Uma mostra disso é que em certo momento, a emissora que transmitia GLOW deixa de lado o show, colocando em segundo plano para dar mais destaque a um show de luta-livre masculino (WWF?).

GLOW com todo seu brilho, com seus impecáveis figurinos e trilha sonora traz as pessoas de volta aos anos 80 com maestria (algo que a também série da Netflix Stranger Things conseguiu fazer) e faz ser uma série divertida e gostosa de assistir até mesmo para quem não conhece o mundo da luta-livre. Os temas polêmicos mostram que a série não se preocupa somente em vender luta-livre ou comédia, mas sim problemas vividos pela sociedade feminina.

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