Esgoto Extremo #01

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Depois de algum tempo parado estou de volta com a coluna. O assunto será a NXT, então cliquem no mais para ler o que tenho a dizer sobre o território de desenvolvimento da WWE.

Que o NXT tem sido um sucesso, ninguém pode negar. Desde a mudança do formato de Reality Show para o de território de desenvolvimento, o programa conquistou o público mais dedicado à luta-livre (ou melhor dizendo, a comunidade de wrestling da internet, vulgarmente conhecida como IWC) e tem sido uma plataforma de sucesso para que lutadores conhecidos pela IWC mas nem tanto assim pelo grande público possam se tornar nomes familiares para a “WWE Universe” antes de subirem para o roster principal da empresa.

Adrian Neville, Kevin Owens e Seth Rollins são apenas alguns exemplos de lutadores que já eram conhecidos pelo público mais dedicado ao pro-wrestling, mas que passaram pelo território de desenvolvimento e se beneficiaram tanto para se acostumar ao estilo específico da WWE, quanto para se tornarem um rosto mais conhecido por aqueles que acompanham apenas a WWE, e não sabem/não se interessam por Ring of Honor, Pro Wrestling Guerrilla, NJPW ou qualquer outra empresa de pro-Wrestling que não seja da família McMahon.

Mas o projeto NXT está apenas em seu primeiro passo, e a partir de agora é que realmente veremos se o território realmente tem capacidade de criar novos nomes. Isso ocorre porque, até o presente momento, praticamente todos os lutadores que saíram do NXT eram ou membros de uma família de lutadores (Roman Reigns, Curtis Axel, Bray Wyatt, Bo Dallas e Charlotte, por exemplo) ou eram os chamados “Indy Darlings”, lutadores que passaram anos lutando em outras federações, fazendo nome e carreira própria antes de serem contratados (Os três citados no parágrafo anterior, Paige, Dean Ambrose, Finn Balor, Hideo Itami, dentre outros).  No Roster principal, apenas Big E pode ser considerado como um talento puramente oriundo da NXT. Todos os outros que tiveram passagem no território já haviam sido treinados e já possuíam algum tipo de experiência em outras empresas, antes de serem contratados pela WWE.

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Pode parecer bobo, mas o fato que demonstro nesse texto é extremamente importante. A WWE já teve outros territórios de desenvolvimento no passado, e muitos lutadores de grande importância para a empresa saíram de lá. O melhor exemplo é a Ohio Valley Wrestling, empresa que foi território de desenvolvimento da WWE de 2000 até 2007. Graças a OVW, Batista, John Cena, Randy Orton, Brock Lesnar surgiram para o roster principal da WWE, além de milhares de outros nomes com passagem pela WWE como Santino Marella, John Morrison, Shelton Benjamin, dentre outros. Já estamos em um determinado momento em que não há grandes nomes no território Indy com interesse de ir para a NXT, seja por não gostarem do calendário agitado da empresa, seja pelo crescimento recente da Ring of Honor (que sempre foi uma fonte de lutadores da WWE, mas que agora está um patamar um pouco superior das outras Indys). A “fonte indy” está secando, e agora é o momento de descobrirmos o potencial da NXT de criar novos nomes, e, o mais importante, de criar um novo “John Cena”, ou um novo “Brock Lesnar”.

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Analisando todos os nomes oriundos da NXT, incluindo os de maior sucesso, nenhum parece ter potencial para se tornar o “centro” da empresa como John Cena foi e é há mais de uma década. Há, claro, potencial para que vários se tornem main eventers, como já aconteceu com Seth Rollins e deve acontecer com Sami Zayn e Kevin Owens. Mas qual deles conseguirá substituir John Cena, no posto de “Herói de Topo”? Eles tentaram com Roman Reigns, que visivelmente não estava preparado. Será que arriscarão novamente com Reigns, ou irão manter Cena no topo até encontrarem outro lutador com as mesmas características base?

Ao contrário do que alguns possam pensar, é vital para a WWE a criação de um novo “herói”, um novo protagonista. Foi assim que a companhia se desenvolveu durante anos, e justamente no ano em que não teve um único “ícone”, a empresa enfrentou o pior momento de sua vida (falo do período pós-Hogan e pré-Attitude Era, onde a empresa não conseguiu criar um ícone (tentaram com Lex Luger, mas não deu certo) e tiveram de manter a empresa sem ter exatamente um grande ícone (Bret Hart, Shawn Michaels e Diesel dividiram a função) até que a Attitude Era chegou e Steve Austin assumiu a posição, com The Rock o sucedendo. A empresa precisa de um ícone, e John Cena não é imortal.

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Pois é. Esta é a grande missão da NXT a partir de agora. Grandes nomes de federações menores continuarão a surgir – Adam Cole, da Ring of Honor, é um dos que mais tem sido observados pela WWE e que eu realmente não duvido que seja contratado um dia – mas o grande objetivo desse projeto, a partir de agora, é começar a desenvolver seus próprios talentos, e tentar encontrar o novo “Top Face” da empresa. Isso, é claro, se Roman Reigns não continuar sendo a grande aposta para o futuro. É esperar para ver o que vai acontecer.

Escrito por Rodrigo Peret

Estudante de Jornalismo, redator e colunista do Wrestlemaníacos. E ídolo do Izac Luna.

4 Comentários

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  1. Meu maior medo é que no futuro o NXT vire uma fabrica de Cenas-Orton’s… O próximo “herói” da WWE vai ser quem eles decidirem que vai, os fãs engolem qualquer porcaria mesmo.

    A fonte do wrestling independente nunca seca e quem não quer trabalhar para a WWE é uma minoria, e eu espero mesmo que cada vez menos a WWE procure esses atletas de outras modalidades, ou mesmo que pare de perder tempo com gente que nunca se interessou por wrestling antes. Essa coisa de “talentos próprios” e criar 99 Otunga’s pra encontrar 1 Dolph Ziggler.

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