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Esgoto Extremo #14 – Roman Reigns e o ódio gratuito

Dentro da luta-livre, existem pessoas que são rejeitadas, odiadas e criticadas por diversos motivos. Algumas por não serem excelentes ring-workers, caso de Eva Marie. Outras por não serem muito boas falando no microfone, caso de Shelton Benjamin. Algumas são criticadas por fatores extra-ringue, como racismo (Hulk Hogan), recusa de perder para outras pessoas (Triple H) ou até mesmo por um temperamento visto como arrogante (caso de The Miz dentro da própria WWE). Mas Roman Reigns sofria de um ódio bizarro e até injustificável.

Não vou fingir que nunca critiquei. Sempre disse que Roman precisava de inúmeras modificações no desenvolvimento de seu personagem para atingir o patamar que a WWE queria colocá-lo. Sempre odiei o fato de ele nunca ter tido uma música de entrada própria, como seus parceiros de Shield tiveram. Sua roupa também é a mesma desde a época da Shield, como se a WWE não quisesse desassociá-lo da stable de maneira nenhuma. Ele nunca foi um péssimo wrestler. Dentro do ringue ele estava longe de ser AJ Styles, um Daniel Bryan e nem sequer chegava ao nível que John Cena consegue apresentar quando quer. Mas era sólido. Seu trabalho no microfone também era algo que merecia melhorias, ele não era um CM Punk. Mas era sólido. Pode-se dizer que ele era mediano, e justamente por isso as passagens pelo midcard, lutando por Intercontinental Championship, por exemplo, eram tão importantes e necessárias para o desenvolvimento dele.

the shield

A WWE errou com Roman, ao colocá-lo no  topo. Criou uma rejeição enorme e desnecessária. Fez com que milhares o vissem como o “novo John Cena”, alguém que o público mais infantil amasse mas os Smarks, os fãs da internet, tivessem a obrigação de odiar. Isso é tóxico, isso não é saudável. CM Punk em partes ajudou nisso quando, no podcast de Colt Cabana, disse que a WWE quis Roman na Shield e preteriu Chris Hero (atual Kassius Ohno). Não ouvir o público, não trabalhar de uma forma que fizesse com que o público conseguisse mudar de opinião quanto a Roman prejudicou muito a carreira dele. O fez ser visto como um pária pelos fãs mais “entendidos”.

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A WWE parece estar parada no tempo. Não consegue mais entender seu público e desenvolver seus personagens de forma que eles sejam amados da mesma forma que Steve Austin, The Rock e Undertaker foram. Material ela sempre teve. Roman poderia ter sido alguém tão popular quanto um Ultimate Warrior foi no início na década de 90, se seus pontos fortes fossem explorados e seus pontos fracos trabalhados. Mas não. Ela insistiu no erro. Insistiu em empurrar goela abaixo alguém que não estava pronto, e que nem tinha culpa por isso, já que era simplesmente um erro de timing. Timing no pro-wrestling é tudo, e a WWE parece ter perdido isso.

O resultado? Um homem vai ao ringue, diz que vai deixar o cinturão principal da empresa por que está com câncer, uma das doenças mais desgraçadas que uma pessoa pode ter, e parte do público o trata mal. Pessoas na internet comemoram. Não todas, claro. Mas existiram pessoas que deram “graças a deus”, simplesmente por não quererem ver Roman Reigns no ringue. Isso é saudável? Isso é legal? Por trás de todo personagem há uma pessoa. Leati Joseph Anoa’i não tem culpa da WWE ter trabalhado mal o personagem dele. Não tem culpa de suas limitações dentro do ringue, e tenho total certeza de que sempre pensou em como poderia melhorar após ouvir a reação negativa do público. Falta empatia em muitos fãs, e faltou saber separar a pessoa do personagem mal executado pela WWE.

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Claro que se houveram pessoas que comemoraram, existiram aquela que se sentiram culpadas. Muitas das pessoas que odiavam Roman se sentiram mal por não saber que ali estava um homem que teve de enfrentar o câncer uma vez quando era jovem e com uma criança para cuidar, e que agora teria de passar por todo aquele sofrimento novamente. E essa sensação de culpa, esse olhar diferente com Roman Reigns é algo que precisamos ter a partir de agora. Talvez daqui a 3 anos, quando Roman se curar da leucemia e conseguir retornar aos ringues, as pessoas olharão para ele de outra forma. Não o verão como o “cara que precisa ficar over”, ou como o “escolhido do Vince McMahon”. Eu espero que ele seja visto como um profissional que passou por muitos problemas para chegar onde está, e que mesmo não sendo o “melhor”, é alguém que merece estar ali e ter a oportunidade de evoluir.

Torço para que toda comunidade que acompanha a luta-livre no Brasil, em Portugal, nos Estados Unidos e em qualquer parte do planeta, consiga entender que existe um limite para o ódio a Roman Reigns. E que todos tenham um pensamento positivo com relação a pessoa que passará por um momento difícil de sua vida. E que, quando estivermos vendo ele retornar num Royal Rumble de surpresa (ou em qualquer outro evento da WWE), o público o receba bem. Não porque ele é um lutador foda, ou um excelente atleta. Mas por ele ter lutado contra algo que é muito difícil de superar. Você pode até voltar a  vaiá-lo 2 meses depois por não gostar do booking da WWE. Mas se até John Cena, que desde 2006 atrai reações mistas, foi comemorado de forma unânime em 2008 quando voltou de uma lesão séria, com Roman Reigns essa reação positiva também precisa ser unânime. Nem que sejam só 5 minutos. Porque respeito é tudo nessa vida, e precisamos ter mais disso.

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Observação: Tenho observado reações mistas quanto ao Heel turn de Dean Ambrose na mesma noite do anúncio de Roman. Sinceramente, se ocorreu, é porque os três concordaram em fazer. Algumas pessoas vão considerar uma falta de respeito com Roman, mas se ele próprio estiver ok com tudo isso, segue a storyline.

 

3 Comentários

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  1. só esqueceram de mencionar que todo esse ódio ao Roman começou por causa do Daniel Bryan, no Royal Rumble de 2015, porque queriam que Bryan fosse o vencedor, até então Roman era sempre ovacionado onde quer que fosse.

  2. quanto a essas pessoas que ficaram felizes com a doença de Roman, é muito triste saber que neste mundo existe esse tipo de gente, se é que podem serem chamadas de gente, tem deles que chegaram ao ponto de desejar a morte de Roman, eles só esquecem que câncer é uma doença muito perigosa que não respeita ninguém, não respeita raça, cor, sexo, ou posição social, e que qualquer um está sujeito ha passar pelo que Roman está passando.

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