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Esgoto Extremo #16 – Uma nova empresa surgindo?

Em setembro de 2018, os Young Bucks (Matt e Nick Jackson) e Cody Rhodes produziram o “All In”, um histórico evento de Pro-Wrestling que mostrou o potencial do cenário fora do universo da WWE. Pela primeira vez desde 1993, um show não promovido pela WCW ou pela WWE alcançou a marca de 10 mil ingressos vendidos, o que abriu um horizonte para o surgimento de uma nova empresa – a All Elite Wrestling.

Os rumores são muitos. Chris Jericho e Jim Ross podem estar envolvidos, o nome All Elite Wrestling LLC foi registrado (junto de outros nomes) e nomes de investidores começaram a surgir, como o caso de Tony Khan, filho de Shahid Kahn, dono do time de futebol americano Jacksonville Jaguars. O último comentário dos Bucks sobre o tema foi de que há propostas na mesa, e ainda destacaram que, a partir de Janeiro de 2019, ficarão sem contrato com a Ring of Honor e com a NJPW, o que ajuda a alimentar a possibilidade de uma nova empresa para bater de frente com a WWE.

Observando o cenário atual, tudo o que o Pro-Wrestling americano precisa hoje é de uma concorrente para a WWE, cujo plantel cada vez mais aumenta e cada vez menos vemos histórias interessantes que atraiam o público (haja em vista os ratings do Raw terem voltado ao patamar de piores da história). Impact Wrestling e Ring of Honor, as duas empresas americanas logo abaixo da WWE na cadeia alimentar, não parecem ter o investimento necessário para ocupar esse posto. A Impact, que já foi TNA, se perdeu desde a passagem de Hulk Hogan por lá, talvez tendo dado um passo maior que a própria perna na época, com direito a uma tentativa de reedição das “Monday Night Wars” com o show indo para as segundas-feiras e fracassando perante o Raw. Ring of Honor, que pertence à SBG (Sinclair Broadcast Group), está já há algum tempo estagnada sem dar o próximo passo, talvez por medo de ter o mesmo destino da TNA. O CEO da SBG até falou em novembro sobre a possibilidade de buscar um contrato televisivo de alto nível para a ROH, mas depois de tanto tempo estagnada no mesmo nível, não dá para se criar grandes expectativas.  

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Há quem diga que a NJPW poderia ser essa concorrente, visto suas tentativas de crescimento nos Estados Unidos e na Inglaterra, com shows esporádicos nas regiões, mas a barreira linguística e o calendário de shows diferenciado atrapalham o crescimento da empresa num nível Mainstream como a WWE, afastando o público mais casual que vê a WWE, apesar de manter fiel o público mais de nicho (os Smarks, no caso).

É por isso que o All In foi tão importante, pois demonstrou que é possível fazer um evento lucrativo com nomes do cenário independente sem qualquer filiação à WWE, convencendo até mesmo CM Punk a aparecer para assinar alguns autógrafos. O sonho de Vince McMahon sempre foi de monopolizar completamente a luta-livre, mas curiosamente, os melhores anos da história do Pro-Wrestling aconteceram em períodos de forte concorrência, vide os anos 80 e 90, marcados por uma WWE competindo com territórios da NWA, a WCW e a ECW e fazendo shows de qualidade (ou perdendo audiência por não fazer shows de qualidade, caso do ano de 1995, um dos piores da história da empresa, quando já concorria com a WCW de Ted Turner que havia acabado de assinar com Hulk Hogan).

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Com o possível aporte financeiro de investidores, somada a experiência de Jim Ross e Chris Jericho no ramo e a experiência do All In, pode ser que os McMahon novamente fiquem colocados contra a parede em uma batalha por audiência, o que pode resultar em shows melhores, talentos deixando a WWE para serem mais bem aproveitados nessa nova empresa e uma nova era no Pro-Wrestling americano surgindo. Resta, é claro, saber se a empresa de Vince McMahon tomará providências para atrapalhar o surgimento de uma concorrente, como já fez no passado ao proibir arenas de sediarem eventos de empresas concorrentes. Caso os Bucks cumpram o que estão prometendo, o ano de 2019 pode ser um marco para a luta-livre, tal qual o ano de 1988 (surgimento da WCW de Ted Turner) foi. Quem sabe CM Punk, que apareceu para assinar autógrafos no All In, resolva retornar para os ringues lutando na AEW depois da fracassada experiência no MMA, numa ação semelhante à decisão de Hulk Hogan de retornar aos ringues norte-americanos pela WCW em 1995 após uma passagem rápida pela NJPW nos dois anos anteriores? Não podemos descartar nada. Vamos ver o que os Bucks planejam, e torcer para que o surgimento de mais uma empresa forte no ramo seja realidade.

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