Esgoto Extremo #7 – O semi-fracasso da geração Nexus

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Eu havia escrito a coluna de hoje no dia em que a notícia sobre King Barrett estar deixando a WWE foi divulgada aqui no blog. Entretanto eu estive sem internet no computador durante os últimos dias e só hoje pude publicar alguns pensamentos sobre o assunto. A coluna de hoje abordará não apenas King Barrett, mas também os outros integrantes da Nexus original. Cliquem no mais para verem o que eu tenho a dizer.

Em fevereiro de 2010, a versão PG-rated da ECW chegava ao fim no canal americano Syfy. Em seu lugar, a WWE introduziu um novo show, com um novo conceito: o NXT, uma espécie de reality show envolvendo “rookies” oriundos da então divisão de desenvolvimento da WWE, a Florida Championship Wrestling, com o vencedor a receber um “contrato” para o plantel principal da WWE. A primeira temporada foi a única das 4 que obteve bom interesse do público, que estava curioso com o programa que se parecia uma versão melhorada do antigo Tough Enough da WWE e também pela presença do então ícone o Wrestling Indie americano Bryan Danielson, vulgo Daniel Bryan. Bryan se juntou a Wade Barrett, Darren Young, Heath Slater, Justin Gabriel, Michael Tarver, David Otunga e Skip Shieffield, nomes até então desconhecidos por grande parte do público, e fazendo a função dos mentores dos 8 novatos estavam Chris Jericho, R-Truth, Matt Hardy, Christian, CM Punk, William Regal, The Miz e Carlito. O vencedor desta temporada foi Wade Barrett, mas na Raw seguinte Barrett se uniu aos outros 7 novatos para atacarem John Cena e vários outros lutadores e membros da equipe da WWE, na esperança de obterem um contrato para cada um dos novatos da primeira temporada. Assim, surge a stable que possívelmente foi o maior desperdício de talentos que a WWE já teve nos últimos anos: A Nexus.

Lembram de quando Slater tinha o cabelo até o ombro, Otunga lutava, Justin Gabriel estava na WWE, Darren Young ainda não tinha saído do armário, Wade não tinha barba, Bryan também não, Ryback usava uma roupa igual o Stone Cold e o Michael Tarver existia?

A ideia de um grupo de novatos buscando tomar a WWE era interessante, e Wade era perfeito no papel de líder do grupo. Porém, o grupo que prometia muito acabou oficialmente em julho do ano seguinte, depois de diversas mudanças de integrantes (Husky Harris, Michael McGillicutty foram os únicos membros da segunda temporada do NXT a entrarem no grupo, enquanto John Cena acabou fazendo parte do grupo momentaneamente durante sua rivalidade com o grupo) e até mesmo a divisão do grupo em duas, com a The Corre surgindo no Smackdown e a New Nexus, liderada por CM Punk (e com a presença do clone do Batista, Mason Ryan), existindo na Raw com bem menos destaque (tão menos que quando Punk venceu o WWE Championship no Money in The Bank em 2011, ele ainda era líder do grupo em teoria, mas em momento nenhum aquilo foi citado na storyline). Enquanto a New Nexus terminava de maneira quieta na Raw, a Corre também acabava devido a uma rivalidade pelo Intercontinental Championship envolvendo Ezekiel Jackson, um dos membros do novo grupo, e Wade Barrett, líder da Corre.

Somando todos os membros da Nexus, New Nexus e Corre, temos um total de 14 integrantes, sendo 8 deles os 8 membros originais da Nexus. E o que aconteceu com cada um dos 14 membros?Pois bem, vamos lá: Ezekiel Jackson, Justin Gabriel, Michael Tarver, CM Punk e Mason Ryan nem sequer trabalham mais na WWE. Destes 5, apenas Gabriel se mantém com algum destaque no Pro-Wrestling, já que Ryan está atualmente no Cirque de Soleil, Punk treina para estrear no UFC, Michael Tarver divide sua carreira de wrestler com a carreira musical e Ezekiel Jackson teria se aposentado após ter tido uma passagem interessante na Lucha Undeground como Big Ryck. Daniel Bryan, de longe o membro de maior sucesso, aposentou-se recentemente devido à sua grave contusão, David Otunga acabou por se tornar host do pré-show da Raw (que eu imagino que quase ninguém assista, já que eu mesmo nem me lembrava de que existia um pré-show da Raw), Darren Young está perdido no plantel depois da suspensão de seu parceiro de duplas Titus O’Neil, Heath Slater e Michael McGillicutty (agora Curtis Axel) fazem parte da Social Outcasts, Skip Sheffield virou Ryback e é presença constante no midcard depois de ter recebido um breve push no início de sua nova personagem, Husky Harris tornou-se Bray Wyatt e atualmente lidera a Wyatt Family, grupo que precisa desesperadamente de uma direção melhor, John Cena é o John Cena e por fim, o líder da Nexus original Wade Barrett irá sair da WWE em junho, quando seu contrato se encerra. O saldo disso é que dos 11 novos lutadores que surgiram da Nexus (e da New Nexus), apenas Barrett, Ryback e Bray Wyatt podem ser considerados algo além de midcarders. O que era para ser um grupo que dominaria a WWE se tornou num grupo esquecido na história da empresa, que só será lembrado devido ao lendário segmento de estréia que causou a momentânea demissão de Bryan devido à violência presente no segmento.

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O King of The Ring precisa ser revitalizado. A ideia de um torneio anual é boa, mas colocar o vencedor pra usar uma vestimenta de rei é uma ideia ultrapassada e ridícula, que só funcionou com o Booker T

Barrett merecia ser mais do que um mero midcarder e sua saída da empresa atesta a falta de capacidade da WWE em fazer novos main eventeres. Ele é possivelmente o melhor exemplo de lutador que esteve no topo da empresa e poderia ter ficado por lá, porém a falta de investimento no lutador por parte da WWE o fez decair até se tornar um mero quarto elemento na League of Nations. E não foi por falta de tentativa do próprio Barrett, que mesmo tendo perdido seu destaque original, se reinventou por duas vezes: Como Bad News Barrett, uma personagem que deveria ter lhe dado um período como Face que teria sido interessante, já que ele estava recebendo boas reações do público, e como King Barrett, onde ele até tentava se manter relevante, o que é difícil quando se é obrigado a utilizar a alcunha “King” sem receber qualquer destaque por parte da empresa ao mesmo tempo (maior problema atual do King of The Ring, inclusive. É um torneio realizado de vez em nunca e cuja a grande recompensa a alcunha de rei e nada mais).

Enquanto Barrett pretende sair da WWE em busca de novos ares, Ryback e Wyatt buscam se manter relevantes na empresa. O primeiro, que teve seu push destruído em 2013 devido à necessidade da WWE de colocar alguém de credibilidade para enfrentar CM Punk pelo cinturão (e na época a coisa estava tão ruim que não havia ninguém além do cara que estava vencendo jobbers), hoje se mantém no midcard e até possui alguma popularidade, porém parece que não vai voltar a disputar o WWE Championship tão cedo. Já Wyatt, este precisa de uma direção. A Wyatt Family está perdendo a força devido a ser, basicamente, um grupo de lutadores sem foco. Wyatt precisa de uma storyline forte envolvendo o poder da empresa ou ir atrás de algum cinturão, algo que até agora ele não fez. Tudo o que a Wyatt Family faz é atacar algum lutador aleatório e por conta disso iniciar uma rivalidade com ele. Isso está ficando cansativo e perdendo o sentido, e Bray Wyatt é uma personagem muito interessante para ser desperdiçada dessa maneira. Mas Barrett também era uma personagem muito interessante no início, e a própria Nexus era um conceito muito interessante. Se Wyatt e Ryback não encontrarem um rumo na WWE, ou melhor, se a WWE não lhes der um rumo, é possível que daqui a um tempo os dois serão os próximos a deixar a WWE no final de seus contratos. Quanto a Wade Barrett, só nos resta ver se ele irá para a TNA, para o circuito independente americano ou se irá retornar para o Reino Unido, onde poderá se unir a Drew Galloway em uma região que vais e tornando cada vez mais importante para o Pro-Wrestling mundial.

Escrito por Rodrigo Peret

Estudante de Jornalismo, redator e colunista do Wrestlemaníacos. E ídolo do Izac Luna.

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