Pepper Attack – Derrotas: Como os fãs veem-nas, como deveriam ver

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Olá, Maníacos! Pepper com o Pepper Attack! O tema de hoje é a parte de uma luta à qual a maioria dos fãs não gosta de prestar atenção: A derrota. É um tema que merece reflexão e que está na minha cabeça desde o falecimento de “Iron” Mike Sharpe, algumas semanas atrás. É uma análise de como os fãs de hoje veem o fenômeno da derrota em uma luta de wrestling, e de como a derrota deveria ser vista. Interessado? Então é só clicar ali no mais.

É a regra mais básica de uma luta de wrestling: A não ser que algum fator externo interfira, cada luta de wrestling terminará com um vencedor e um perdedor. Empates não são comuns ao wrestling atual, e, falando em WWE, isso se dá por conta também da cultura estadunidense. Os americanos são um povo extremamente competitivo, até mesmo por conta do capitalismo às últimas consequências sob o qual o país vive. Americanos gostam da ideia de pessoas tendo o maior esforço possível para buscar a glória de uma vitória. E para evitar a vergonha de uma derrota. É por isso que americanos gostam tanto de esportes, e podem reparar que os esportes americanos são feitos de um jeito que empates sejam praticamente impossíveis: Não existem empates na NBA, nem na NHL, muito menos na MLB, na NFL são raríssimos. Enfim, o ponto é: Por conta da própria cultura à qual o produto da WWE está voltado, poucas lutas, especialmente decisivas, terminam em empates. Empates despertam no americano um sentimento de frustração. Então cada luta terá um perdedor. Mas a WWE se difere das ligas esportivas: Ela não é um esporte, é um espetáculo. E, lá, o perdedor também tem valor, por mais que não pareça.

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A mecânica do wrestling é simples, pelo menos deveria ser: Temos uma lista de wrestlers, cada um com uma personalidade e golpes únicos, e uma escala de importância no show, a qual chamamos de push. Quanto maior o push de um personagem, mais visibilidade, lutas importantes e títulos são dados a ele, ele vence a ponto de tornar-se o que chamamos de “Main Eventer”. A ele é dada, muitas vezes, a responsabilidade de fechar o show, de ser o principal responsável pelos fãs comprarem ingressos e verem os shows. Em contrapartida, quanto menor o push, menor o destaque, menor a quantidade de lutas importantes, e o extremo disso é o que chamamos de “Jobber”. Ele não tem destaque, por vezes nem mesmo uma personalidade própria, e só está lá para perder e fazer outros wrestlers parecerem bons quando o derrotam. Quanto melhor os fãs reagem a um lutador, mais push ele recebe. Se os fãs se desinteressarem por um lutador, o push dele diminui. Eu sei que pra quem acompanha wrestling a algum tempo nada do que digo é novidade, mas é importante para explicar um ponto que, apesar de óbvio, é importantíssimo: Para um lutador receber um push maior, ele tem que ganhar lutas, e isso significa que alguém tem que perder lutas.

Com o básico explicado, vamos complicar um pouco as coisas: Para um lutador receber um push, não basta a ele derrotar apenas lutadores da parte inferior do card, porque eles são vistos como “alvos fáceis”, afinal, sempre perdem. Tomemos Cesaro como exemplo. Não se espera que Cesaro ganhe muita coisa se ele começar a derrotar, vamos supor, Fandango toda semana. Porque Fandango ganha poucas lutas e os fãs nele estão pouco interessados. Cesaro precisa ganhar de alguém com o qual os fãs se importam mais, visto como uma real ameaça. Alguém como Dolph Ziggler, ou Dean Ambrose, ou Kevin Owens. Mas se Cesaro vencer Kevin Owens, significa então que Owens está recuando no card? Estaria um dos wrestlers mais queridos dos fãs perdendo espaço no card? É essa pergunta a principal que a coluna quer responder.

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É essa pergunta que diferencia os fãs atuais dos fãs mais antigos, e é por conta dos fãs atuais não saberem a resposta dessa pergunta que eles reagem à derrota como algo SEMPRE negativo. Basta Kevin Owens ser derrotado que vêm os fãs com comentários raivosos e revoltados sobre como Owens estaria recuando no card, virando um Jobber. Acham que uma derrota é o primeiro passo para ele lutar contra Damian Sandow no próximo Superstars, e criticam de forma veemente a WWE por estar “enterrando” (termo usado de forma errônea em muitos dos casos, que significa “matar” o push de um lutador, fazendo-o perder lutas importantes em sequência de forma a matar o interesse dos fãs por ele) um dos seus lutadores favoritos. Enquanto os fãs mais antigos tendem a ver as derrotas de uma maneira muito mais tranquila. Em parte a culpa é da própria WWE pelos fãs pensarem assim. Anos de John Cena parecem ter “ensinado” que personagens no topo JAMAIS perdem, especialmente se forem faces. Perder significaria não estar no topo, e nós queremos Bray Wyatt, Kevin Owens, Cesaro e etc. no topo. Por isso os fãs se irritam com as derrotas. Enquanto antigamente a WWE tinha vários caras de topo ao mesmo tempo que venciam e perdiam um pro outro frequentemente. A reação dos fãs atuais é fruto da própria incompetência do booking da WWE.

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Perder significa ter seu espaço no card diminuído? A resposta é: Depende. Ficar mais alto no card não significa deixar de perder, e sim perder menos. Mas ainda sim perder quando for necessário para criar novas estrelas. E há formas também de perder. Em certos casos, o wrestler pode parecer uma ameaça maior quando perde do que quando ganha. Depende de como sua luta foi construída. Querem um exemplo? Procurem pela I Quit Match entre Bret Hart e Stone Cold Steve Austin. Austin perdeu a luta por interferência do juiz depois de perder muito sangue e começar a correr sérios perigos no ringue. Stone Cold perdeu, mas pareceu um verdadeiro badass após preferir desmaiar por perda de sangue a desistir de uma luta. Uma vitória jamais teria feito isso por ele. É por isso que não devemos julgar tanto uma luta por seu resultado, mas sim pelo o que ela produziu para o vencedor e para o perdedor, e o que ela fez para cada um dos dois no longo prazo. É melhor do que sair esbravejando a cada luta que seu wrestler favorito perde, não acha?

Bom, a coluna saiu muito mais longa do que eu esperava, mas espero que tenham gostado. Elogios, críticas, opiniões? Por favor comente ali embaixo. E até a próxima, Maníacos!

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