Pepper Attack – Reflexões sobre Daniel Bryan, os últimos nove anos, e um possível herói teimoso

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Olá, Maníacos! Eu sou Pepper e bem-vindos a mais um Pepper Attack! Esse não era bem o tema sobre o qual eu ia falar na coluna original, que já está pronta, mas que pode esperar mais um pouco. Há um tema muito mais importante a ser levantado com a triste aposentadoria de Daniel Bryan, um dos melhores wrestlers dos últimos tempos. Jovem e querido por todos, é forçado a se aposentar por problemas envolvendo concussões, um fantasma muito antigo na WWE. Essa crônica é escrita para discutir como as consequências do caso Chris Benoit, nove anos atrás, podem ter salvo a vida de Daniel Bryan. Interessado? Então é só clicar ali no mais.

São exatamente 4:15 da manhã enquanto escrevo esse texto. Quatro horas atrás eu via, como todo fã de wrestling, estupefato e triste, o discurso de despedida de Daniel Bryan. Quem lê com frequência com certeza deve conhecer aquela sensação de estar adorando um livro, até a hora em que percebe-se que ele está chegando ao fim. Você não quer que o livro acabe. Você começa a ler mais devagar na esperança de prolongar aquela sensação boa que tal livro lhe traz, mas vem uma hora em que você tem que aceitar que tudo aquilo chegou ao fim. Você termina o livro e não pode evitar uma certa sensação de vazio no peito, que vai demorar um pouco a passar. É exatamente assim que me senti enquanto o angle de despedida de Daniel Bryan se desenrolava. E, ao fim do pós-show, quando Bryan abraçou Vince McMahon e se dirigiu aos backstages que veio o famoso vazio. Não acredito em coincidências, sabe? Assim como não é coincidência do destino o administrador Izac Luna ter enrolado para me dar autorização para postar a coluna que eu havia feito antes dessa, o que teria impedido que eu tratasse desse assunto agora, não é coincidência o fato de Vince McMahon ter sido a última pessoa que Bryan abraçou antes de se retirar como lutador da WWE. E, talvez, ao fim dessa coluna, vocês também acreditem que isso não foi coincidência.

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Nove anos atrás, ocorreu talvez a maior tragédia da história do wrestling. Chris Benoit, prejudicado por uma carreira marcada por inúmeras concussões e abuso de esteroides, assassinou a esposa e o próprio filho. Vários paralelos podem ser traçados entre Chris Benoit e Daniel Bryan: Competidores que estavam entre os melhores do mundo, respeitados por fãs e outros lutadores, tanto dentro como fora do ringue, não eram o estereótipo do cara “grande” do qual a WWE tanto gosta, mas superaram isso e terminaram uma Wrestlemania vencendo uma Triple Threat Match pelo título mundial. Ah, e passando por cima da oposição de Triple H para conseguir tal feito. Além de terem vencido a luta principal de suas carreiras, além de várias outras, com uma variação do Crossface. Ah, e os dois também usavam o Diving Headbutt, e alguns dizem que esse golpe fez com que Benoit piorasse ainda mais os danos cerebrais que adquiriu com anos de luta, levando cadeiradas e caindo de cabeça no chão. Acho que vocês já descobriram onde eu quero chegar com isso, afinal, como eu disse no parágrafo anterior, não acredito em coincidências. “Ah, Pepper, mas nada do que você disse é uma prova real de que Bryan realmente corria perigo, afinal, Bryan passou por doutores especializados em futebol americano e foi liberado pra lutar!”, você pode dizer. Apenas recomendo que quem tenha essa dúvida continue a ler a crônica.

Desde a sua trágica morte, Chris Benoit tornou-se um fantasma para a WWE e para Vince McMahon, que fez pouca demora em efetivar de fato uma política estrita de bem-estar para os talentos que estão dentro da WWE, além de fazer proibições bem claras a golpes na cabeça que ficam mais rigorosas com o passar dos anos, chegando a ponto de proibir o finisher do à época WWE Champion Seth Rollins, num tipo de aviso: Essa política vale para todos. Além disso, WWE passou a ter uma preocupação quase paranoica com as concussões sofridas por seus lutadores, chegando ao ponto de interromper o reinado de Dolph Ziggler, um dos seus world champions, e de praticamente forçar Christian a se aposentar após uma concussão. Concussões viraram um alerta vermelho para a WWE, e se um dos seus wrestlers sofre uma concussão, enquanto eles não tiverem garantias de que não há sequelas dessa concussão e de que o wrestler envolvido não corre mais perigo, esse wrestler simplesmente não vai voltar. A única garantia na qual Vince McMahon confia é no médico da WWE, Chris Amann. Por isso não importava a palavra do médico da UCLA, nem do médico do Arizona Cardinals da NFL, e isso o que deixou vários fãs enfurecidos, acusando Vince de estar “armando” contra Bryan, se utilizando da situação para manter um dos seus maiores astros fora de ação sob uma premissa de que Vince o odeia por ser pequeno. Isso é tolo, mas traz à tona o quão difícil deve ter sido para Vince manter a aposta em Chris Amann e não liberar Daniel Bryan.

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Tenho certeza que os fãs da internet não foram os únicos a pressionar Vince McMahon para que ele liberasse Bryan. A WWE passa por um momento difícil, com diversos astros lesionados. Sem nomes como John Cena, Randy Orton, Sting, Seth Rollins, Cesaro, Sheamus, entre outros, está dificil montar um card digno do que deveria ser uma Wrestlemania. Com certeza muita gente poderosa de dentro da WWE deve ter tentado convencer Vince a liberar Daniel Bryan para que a empresa pudesse contar com um dos seus maiores astros e quem sabe salvar a Wrestlemania. Bryan traria muito dinheiro a Vince, muito mais dinheiro lutando do que aposentado. Mas o fantasma de Chris Benoit ainda assombra a WWE. Vince é esperto e deve ter visto tudo o que eu citei alguns parágrafos atrás, as semelhanças entre Bryan e Benoit. Talvez isso tenha o feito manter sua posição, ser teimoso. E isso funcionou? Bom…

Uma semana atrás, Bryan passou por um último exame cerebral, e as notícias são ruins, pelo o que ele mesmo disse em sua promo. Os detalhes ainda estão por vir enquanto essa crônica ainda escrita, mas o tom de Bryan, que antes era de otimismo quanto a uma possível volta, tornou-se soturno. Seu cérebro estava numa condição muito pior do que a esperada, e lutar mais poderia repetir justamente o caso de alguns anos atrás. Por sua própria segurança e pela segurança de sua família (Tanto a atual como a dos seus futuros filhos), Bryan se rende, e se aposenta. E a teimosia de Vince McMahon, pelo visto, salvou uma vida e evitou uma segunda tragédia. As coisas podem parecer ruins agora que Bryan anunciou sua aposentadoria, mas teriam sido muito piores se Vince tivesse seguido a palavra dos médicos de futebol americano (por ironia, um esporte conhecido por sua alta porcentagem de jogadores com problemas cerebrais causados por concussões) ao invés da palavra do seu doutor, além da sua experiência pessoal com Chris Benoit. Realmente, não foi coincidência que o último ato de Daniel Bryan como lutador da WWE antes de se retirar de cena foi abraçar Vince McMahon. Nada poderia ser mais emblemático.

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Bom, concordam comigo? Ou acham que eu só estou falando besteira? Por favor não se abstenham de dar suas opiniões ali embaixo. Bom, vida longa ao American Dragon, e até a próxima, Maníacos!

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