Pra Ser Sincero #21: Suspensão da Descrença

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Olá, eu sou Gabriel Goto e este é mais um Pra Ser Sincero! Nesta vigésima e primeira edição, falarei sobre a suspensão de descrença, porém, o que é isso afinal? Não tenha medo, eu tento explicar um pouco disso no meu artigo desta semana, então venham comigo!

Estava sem inspiração alguma para escrever essa semana, não estava a fim de falar sobre o escândalo do Dopping de Brock Lesnar e estava até cogitando deixar essa semana em branco, mas aí um anjo de cabelos coloridos (se você acompanhá-la talvez saiba de quem eu esteja falando) salvou este artigo sempre sincero. Nesta edição, falarei sobre a suspensão de descrença que por mais que para mim seja um termo novíssimo assim como para vocês, é algo que fazemos há tanto tempo que eu não saberia responder quando isso aconteceu, talvez no dia que eu assisti Harry Potter pela primeira vez há mais de 13 anos.

A suspensão de descrença é você acreditar naquilo que o filme, livro ou espetáculo te diz para acreditar de maneira bem indireta, em outras palavras, você não irá ligar se na Terra Média você ver um árvore gigante que fala. E no Pro-Wrestling é mais uma das vertentes deste fenômeno.

Você sabe que não é real, você sabe que não é pra valer, mas você também sabe que no momento que o sino toca e há dois ou mais lutadores dentro daquele ringue, eles deixam de ser apenas homens comuns (muitas vezes bombados e de sunguinha) e viram os suas personagens, já falei isso incontáveis vezes, mas o Pro-Wrestling, o Puroresu, a Lucha Libre, o Telecatch é onde a arte marcial se encontra com a cênica, é o cruzamento entre o belo e o grotesco e por isso tão fascinante por quem entende a mensagem, é muito simples dizer que não gosta de Wrestling por ser falso, o complicado é entender tudo que ele representa.

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O problema é que muitos que estão no meio (sem contar os fãs) acabam tendo os seus pés no chão quando se é necessário voar, como Kevin Nash que disse que o Wrestling morreu quando Eddie Guerrero e Chris Benoit ganharam os títulos mundiais na Wrestlemania 20, por quê? Porque eles eram cruiserweights, porque eles venceram heavyweights e isso é inadmissível!

A Suspensão da Descrença faz com que você acredite no impossível, mas não no improvável e a força e o tamanho nunca foram improváveis de serem derrotadas (começando na Bíblia, Davi derrotou Golias; indo para a Terra Média, dois hobbits destruíram o Anel; e mais um milhão de exemplos também em nosso meio) Ric Flair, uma lenda indiscutível disse que era impossível de se ter um cruiserweight como Finn Balor, em sua primeira noite, vencer o US Champion Rusev (no combate ainda havia Cesaro e Owens, mas Rusev foi o finalizado) e o ex-campeão mundial Roman Reigns, sendo que o próprio Balor no NXT havia vencido tanto Owens quanto Samoa Joe, pois ao contrário de Lesnar, todos esses não foram feitos para serem invencíveis.

Vocês podem ver que muitos mesmo dentro da WWE ou que fizeram parte dela possuem uma resistência enorme com lutadores de baixa estatura, mas o maior nome que surgiu nos últimos cinco anos foi o de Daniel Bryan e ele derrotou Triple H, Batista e Randy Orton na mesma noite e foi inesquecível! Eu acho muito errado automaticamente o cara por ser pequeno ser o “underdog” da rivalidade, funciona muito bem com Sami Zayn e funcionou com o Daniel Bryan, mas o Finn Balor não é underdog. Temos também AJ Styles, que por mais veterano que seja, não é um heavyweight e luta de igual para igual com um dos maiores nomes de todos os tempos: John Cena, graças aos deuses, por mais que vocês reclamem, Vince McMahon é o velho mais sensato deste ramo (e por sorte temos Triple H como seu sucessor).

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Onde eu quero chegar com tudo isto é que vocês vejam por si sós, como parece tolo em nosso meio criticar certas decisões, na semana passada eu já havia listado 6 motivos de que Balor ter vencido Roman Reigns não foi nenhuma surpresa, por mais que queiram ter vendido isso para os fãs, Dolph Ziggler sim foi uma surpresa sim ter vencido e eu julgaria que uma vitória dele (in kayfabe) contra Bray Wyatt 1vs1 seria impossível e por isso ele venceu, para dar continuidade na história de sua redenção, a promo dele contra o Dean no começo do show e a sua luta no fim contra o Eater of Worlds mostrou tudo que por anos ele gritou e esperneou para mostrar (por sinal achei o Smackdown dessa semana melhor que o Raw).

Wyatt nunca precisou de vitórias para mostrar-se forte, sua natureza já o faz assim e por isso ele sempre permanece como “candidato ao título” e não é por “pena” dos fãs ou esperança de que ele seja bem usado e sim porque ele se faz credível e isso não é impossível, eu sinceramente prefiro o booking que fazem com o Bray do que o que fazem com o Lesnar que é uma vergonha, porque isso sim é improvável (vale lembrar que não defendo o booking da WWE em cima do Bray, poderia ter sido muito melhor, mas até o momento no Smackdown vejo com bons olhos o que o futuro lhe guarda: provavelmente uma title match no Backlash).

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Além do mais, a sua personalidade dentro da WWE é pura suspensão de descrença, alguém que saltou dos filmes de terror e suspense dos anos 80 direto para a WWE, um líder de um culto de fazendeiros maníacos que poderia e muito ser explorado (já até escrevi contos sobre ele, talvez eu poste por aqui no futuro).

Acho que por hoje é só, espero que tenham gostado e não deixem de comentar, expressando suas opiniões: Você acha que os cruiser/lightweights não deveriam estar no topo da empresa (renegando caras como Eddie, Rey Mysterio, o próprio HBK, Daniel Bryan e muitos outros) e que o Pro-Wrestling é uma arte apenas para musculosos de 2 metros de altura? Deixe sua opinião a respeito! Por sinal, hoje tem Cruiserweight Classic! Noam Dar, Rich Swann e Johnny Gargano contra Tomasso Ciampa!

PS: Se você quiser ver o vídeo que me inspirou a escrever este artigo, clique aqui.

Escrito por Gabriel Goto

18 anos, estudante de Letras, amante de Pro-Wrestling e outros bons meios de se contar uma história, escrevo o Pra Ser Sincero e o Wrestling Tales.

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