Pra Ser Sincero #24 – Seria eu, velho demais para o verdadeiro PW?

Crise da meia idade

Inicia-se uma nova era para essa coluna, o segundo semestre desse ano que passou para mim foi extremamente complicado, por diversos fatores como faculdade e trabalho ocupando 90% do meu dia, mas acredito que possa ser revertido em 2017, esperando não perder espaço no ainda melhor blog do Brasil.

Com uma nova proposta, que vise menos os shows semanais e buscando temas atemporais, declaro aberto o Pra Ser Sincero 2.0, com o seu digníssimo anfitrião: Eu, Gabriel Goto.

Para começar, escolhi esse tema, que talvez muitos possam pensar que não exista, mas a idade vem e as prioridades da vida adulta veem à tona e, infelizmente, não se pode fugir delas. Portanto, para a vigésima quarta edição do Pra Ser Sincero: Seria eu, velho demais para o verdadeiro Pro-Wrestling?

Com 19 anos, tenho memórias vívidas a partir de 2006, algumas poucas de 2005 e antes disso é tudo nebuloso. Tenho apenas lembranças traumáticas de como eu quase morri afogado, de como eu bati a cabeça e a abri como um ovo, como um boxer me mordeu no olho e o deixou roxo (embora essa memória eu acredite que seja um sonho que eu tenha conservado até hoje) sendo assim, 2006 é quando o que eu sou hoje começou a ser moldado. E foi logo em 2007 que tive meus primeiros contatos com o pro-wrestling, ou melhor dizendo, com a WWE.

Quase 10 anos depois, continuo nesse relacionamento conturbado, e acabo descobrindo ter me tornado um fã casual preguiçoso por não acompanhar empresas melhores que aquela que eu acompanho por 10 longos anos. Durante esse tempo, tive relacionamentos secundários, já acompanhei cada empresa independente que me foi possível acompanhar, peguei a época em que a TNA era possível ameaça para a WWE e vi sua decadência há alguns anos, vi a ROH, o berço das grandes estrelas, vi a PWG em seu apogeu e hoje pouco ouço falar sobre ela, o que será que houve? Acompanhei a New Japan, um estilo diferente do que eu estava acostumado a ver, mas mesmo assim acompanhei por um bom tempo o máximo que eu pude do “melhor Pro-Wrestling do mundo” ou Puroresu para os mais íntimos. Vi a DGUSA se tornar a EVOLVE, seguindo até os shows de fundo de quintal, mas nada me satisfez mais do que a empresa dos McMahons, fosse pela falta de comodidade em acompanhá-las, fosse pela minha própria culpa ou simplesmente porque não teve nada que me agradou o suficiente para que eu acompanhasse por tanto tempo.

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The New Day walks into Battleground as the longest-reigning WWE Tag Team Champions in history.

Afinal, o que é bom e o que é ruim no Pro-Wrestling? A magia das lutas não deveria superar qualquer coisa? Eu acho um erro julgar uma arte como se fosse um esporte, da mesma forma que há competições de dança, cinema e música, valorizam ao extremo os vencedores e o que sobra para os perdedores? Faça boa arte, apenas faça. Julgue o subjetivo acima daquilo que os olhos conseguem captar.

Passei a minha adolescência vendo o máximo de empresas que eu conseguia e me gabava por isso, até hoje o promoter da Preston City Wrestling me segue no Instagram e curte as minhas fotos (LOL) e fora essa troca de likes, nada apoiei o cenário independente de PW. Não importa quantos shows eu tenha visto, quantas lutas eu tenha dado 4 ou 5 estrelas, tudo foi apenas para momentaneamente inflar o meu ego, jamais dei suporte considerável para nenhuma empresa e se cresceram não foi com a minha ajuda.

Se a ICW fez o maior show da sua história e da história recente do Wrestling Britânico em novembro, não foi porque eu CONTRABANDEEI os shows, suavizando o termo, porque eu baixei os torrentes de seus shows. Um velho amigo uma vez me disse que não havia mal você consumir a pirataria de artistas famosos e consagrados, mas que era a maior covardia possível fazer o mesmo com os artistas independentes. E de certa forma, o que ele diz me faz muito sentido. Admiro quem tenha assinado a NJPW World, ICW on Demand ou qualquer outro sistema de stream fora o WWE Network, se eu soubesse de alguém que tenha assinado… (salva exceção, conheço um único nome).

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Por que eu falaria tanto mal dos wrestlers que um dia eu tanto admirei? Muitos dos que hoje estão na WWE estavam no cenário independente há 5 anos atrás e eu vi cada um deles ascenderem. Tirando a grande maioria dos japoneses, é provável que 90% do cenário independente que faça um enorme sucesso vá para a WWE em breve, nem que seja para fazer algo no estilo CWC, e será muito melhor para eles quando forem. Por exemplo, Matt Riddle até 2018 (provavelmente antes) estará no NXT e isso já era esperado desde o seu início na EVOLVE.

A internet é uma grotesca faca de dois gumes, podendo-nos proporcionar alguns excelentes momentos e um infindável leque de possibilidades, ao mesmo tempo que é o maior campo de crucificações. Por que teria eu que condenar a única empresa que quando eu chego 23h em casa (nesse dezembro eu trabalhei 12 horas por dia, fora o tempo até chegar em casa) e ligasse a TV, ela estaria passando. Sim, está longe de ter o melhor conteúdo, qualquer doente metido a sabichão pode dizer isso, mas a questão não é acompanhar o melhor ou o pior produto, é simplesmente apoiar o crescimento de uma forma de arte recriminada no país onde nascemos. Acredite, nenhum show visto da PROGRESS ajudará nisso. O futuro das empresas independentes só dizem respeito aos fãs regionais e a quem possa pagar pelos shows, quem possa financiar o futuro deles.

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The Wyatt Family wants to put an exclamation point on their familial bond before being relegated to different brands the following night.

Nisso eu vejo que falhei miseravelmente, mas em 2017 tentarei dar o suporte que as nossas empresas nacionais merecem, eu vi Lorain Campos contra Iron Charles pela FILL e foi um combate realmente muito bom, eles lutaram na frente de 20 pessoas (pelo menos metade deveria ser os amigos que já teriam lutado ou iriam lutar) e fizeram algo magnífico, porque fizeram boa arte. A BWF já mostrou que é possível que um próximo superastro saia dela, como o Cezar na WWE ou o Maverick que agora está no Canadá (?) treinando. Só resta a nós a apoiar o PW que nos condiz apoiar.

Lógico que, quem sou eu para cagar regra, para a meia-dúzia que ler essa crônica e mesmo assim continuar garimpando os torrents no XWT, não há problema, o livre-arbítrio existe para isso. A verdade é que ser indyfag é uma fase, que eu já tive e não tenho mais, agora sou velho demais para o verdadeiro Pro-Wrestling cinco estrelas e aceito calado todas as merdas que a WWE me impõe (como por exemplo, todos os grandes indy wrestlers de 10 anos atrás).

Esse foi o retorno do Pra Ser Sincero, espero que tenham gostado e não deixem de comentar, expressando suas opiniões sempre bem vindas, concordando ou não comigo. Volto agora em 15 dias, tenham um bom 2017!

Escrito por Gabriel Goto

18 anos, estudante de Letras, amante de Pro-Wrestling e outros bons meios de se contar uma história, escrevo o Pra Ser Sincero e o Wrestling Tales.

Um comentário

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  1. Gabriel,

    Entendo tudo o que você disse… acompanho o PW desde 1995 e vi muita coisa rolar… já fui fanático por várias federações Nacionais e principalmente Internacionais.
    O que fica agora é tentar acompanhar as storylines, isoladamente, pois trabalho muito também, além de esposa e filho.

    As storylines são o que ficará marcado, verá que a qualidade da luta nada faz sentido sem uma storyline boa por trás. Até o MMA tem storyline para as lutas fazerem sentido.

    Pelo menos no meu caso foi o que aconteceu… agora com mais de 20 anos de PW ficaram marcados Michaels x Hart, o início da NWO, Invasion, Monday Night Wars, Carlito x Flair, Cena x Angle, Main Event Mafia, a estréia do House of Truth, Psycho Circus x Perros del Mal, Punk x Hardy, Beer Money x MCMG x Generation Me… isso só como exemplos de storylines que ficaram marcados e sempre que posso revejo e tento recriar no TEW.

    Pode ter certeza que a entrada do Hydra e as granadas jogadas pelo Chuck Taylor na Chikara são ótimas fontes de risadas futuras.

    Parabéns pelo espaço!

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