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SmackDown e Raw: uma lição de como (não) fazer branding

Resultados do Survivor Series evidenciam um problema maior

De acordo com o site Marketing de Conteúdo, o maior blog de marketing digital da América Latina, branding é

a gestão de uma marca. Todo o trabalho realizado com o objetivo de tornar a sua marca mais conhecida, mais desejada, mais positiva na mente e no coração dos seus consumidores. Envolve desde a concepção da marca até as ações cotidianas de marketing da empresa.

E, olha: isso tudo é exatamente o que a WWE não faz com seu programa azul, o SmackDown.

 

A essa altura do campeonato você provavelmente já assistiu ou pelo menos ficou sabendo dos resultados do Survivor Series, que rolou no último domingo, em que o Raw ganhou praticamente todas as lutas da noite. O show vermelho já havia derrotado os azuis inúmeras vezes desde que a separação de brands foi algo, lá no início dos anos 2000, mas nunca de forma tão arrasadora. O placar final oficial de 6-0 permite que a empresa use a expressão “clean sweep” (algo como “PASSOU O RODO”) em tudo que é texto sobre o evento. Mas a questão é: precisava mesmo?

O Monday Night Raw estreou em 1993 e desde então sempre foi o programa favorito da gigante do entretenimento, não existe discussão em relação a isso porque é um fato. Assim como todos sabemos que John Cena nunca se tornará heel (amém!), ou que Seth Rollins é um futuro hall of famer ou ainda que a Becky Lynch é a maior Women’s Champion da história do SmackDown, sabemos que os McMahon sempre tiveram e sempre terão um maior apreço pelo Raw, colocando aparições de lendas, dando mais tempo de TV, angles importantes e mais star power. Tudo bem até aí, porque se até sua mãe prefere o filho mais velho, porque aqui seria diferente, não é? O problema real começa quando a empresa parece consolidar um processo de auto sabotagem que eu, pessoalmente, não consigo reagir de outra forma que não seja “mas isso não faz sentido!”.

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É o terceiro ano seguido que o SmackDown perde o Survivor Series, ou seja, perdeu todos desde a brand split de 2016. Mesmo tendo o cinturão mais importante da indústria do pro-wrestling, nunca esteve no main event de pay-per-views em que os dois programas estivessem participando. Teve seu milésimo episódio comemorado esse ano, em uma edição tão bagunçada e corrida quanto esquecível.

Não parece haver vantagem alguma nisso tudo. Nada. A WWE parece ter certo medo de que seu filho primogênito fique com uma importância minimamente parecida com o filho do meio e, deus nos ajude se o show azul for mais importante. A audiência do SmackDown 1000 que ultrapassou a do Raw naquela semana deve ter causado um pânico nos escritórios.

O que disse no início do texto, sobre branding e gestão de marcas é perfeitamente aplicável nessa lógica do entretenimento em que a WWE se insere. Veja, parece proposital que a companhia sucateie o SmackDown, promovendo características que claramente o tornam um programa menos atrativo do que poderia ser. Você acha mesmo que distribuir os main events de PPVs de forma mais igualitária entre um show e outro machucaria a imagem do Raw? Acha que o Time SmackDown ganhar umas duas ou três lutas no Survivor Series faz o Raw ter menos audiência? Porque eu acho que não.

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Parece ser uma decisão empresarial um tanto quanto, digamos… besta (!), se esforçar para que sua marca seja menos relevante. Até se você sair um pouco da bolha do wrestling e pensar mais na publicidade, vai ver que, mesmo estreando novas logos em 2016, só o Raw já teve sua identidade visual renovada de lá pra cá, enquanto o SmackDown continua com os mesmos designs há mais de dois anos. Não há renovação. Não há público novo.

Te jogo ainda mais um elemento nessa equação toda: a compra do SmackDown pela FOX. Como diria Nicole Bahls: “Coragem, né. Tem que ter coragem” pra vender os direitos de exibição de um programa por mais de 1 bilhão de dólares e depois fazer o show passar vergonha assim em um pay-per-view. Você pode até dizer que isso faz parte de um plano maior, já que aparentemente a casa d’Os Simpsons quer que o SmackDown tenha menos gracinhas e mais wrestling de raiz. Ainda assim, não justifica o esforço pra diminuir a importância do programa. É arriscado demais.

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Há quem diga que existem motivos por trás do desastre que foi o resultado do Survivor Series (e veja, quando digo “desastre” eu estou no kayfabe. Foi desastre pro SmackDown, mas a qualidade de praticamente todas as lutas foi inegável. Alô, Charlotte e Ronda!). Seja porque Shane McMahon de fato se tornará heel, seja porque Vince tem 10 anos de idade e quer mostrar quem é o programa queridinho, ou ainda porque podemos ter grandes mudanças no show azul, a verdade é que a auto sabotagem que a WWE faz não ajuda em nada. O SmackDown poderia ser muito maior do que é, sem retirar o Raw do seu trono de ouro. E se fortalecer uma das marcas da sua empresa é algo que você se recusa a fazer, bem, talvez você devesse repensar essa gestão.

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Lucas Oliveira é redator no Wrestlemaníacos. Você pode segui-lo no Twitter.

6 Comentários

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  1. Sem contar que a única luta ganha pela brand do SmackDown não contou no placar do show…ora! Então por que diabos promove-la ao longo das semanas no programa??

  2. É triste darem tanta supremacia a Raw no SS estes anos todos quando a SmackDown tem de longe o melhor roaster, tanto nos homens (Aj, Hardy, Nakamura, Orton), tag teams (New Day, Usos, Anderson/Gallows) e mulheres (Asuka, Becky, Charlotte)

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