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Terceira Corda #4 – Poderia ter sido pior

O desastre era esperado, as tochas já estavam acesas e os tridentes em mãos porém, não foi tão ruim e quais os motivos do fracasso ser menor? Um talento local, uma luta histórica e uma estrela em ascenção que roubaram a cena.

Bem-vindos a mais uma edição do Terceira Corda, hoje iremos falar sobre o mais recente evento da WWE na Arábia Saudita, o Crown Jewel, que teve momentos decepcionantes como esperado, porém tivemos surpresas agradáveis que no final diminuiu o sentimento de decepção que já batia na porta antes mesmo do show começar.

É incrível como a WWE comete erros atrás de erros, o acordo com a Arábia Saudita foi um deles, a entrega de shows deploráveis com apelações desnecessárias como a Copa do Mundo, a maior Battle Royal da história, o maior Royal Rumble da história e a Copa do Mundo de Duplas, realizada no show mais recente. Quando é anunciado um PPV nas Arábias já bate aquele sentimento de: “O que a WWE vai inventar agora?”. Dessa vez não foi diferente, o card não foi nada agradável, com Cain Velasquez fazendo sua estreia no ringue da maior companhia do mundo em uma luta válida pelo cinturão mais prestigiado do mundo do wrestling e que possui uma história grande o bastante para não ser entregue aos braços de qualquer lutador. Tínhamos ainda Tyson Fury enfrentando Braun Strowman. Fury é um dos maiores nomes do boxe mundial no momento, com um cartel de 29 vitórias e 1 empate, o inglês vem em uma grande fase dentro do ringue de quatro cordas, uma aventura no wrestling profissional não seria uma boa ideia – no fim tivemos a conclusão de que realmente não foi uma boa ideia – algo que poderia manchar de certa forma a visão de um grande campeão como ele, além de provar que Braun Strowman é o novo Big Show (que encarou Floyd Mayweather em uma WrestleMania).

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Quando a ideia de um combate entre um time comandado por Hulk Hogan contra um liderado por Ric Flair foi colocada no card, fiz a seguinte pergunta: “Qual a necessidade disso?”. O combate até que não decepcionou, diferente dos dois citados do parágrafo anterior. A luta principal entre Seth Rollins e “The Fiend” Bray Wyatt deixou um pouco a desejar – tanto que cochilei por uns 5 minutos – porém o final foi bom e agora temos um novo campeão Universal. Diante de todos esses combates que deixaram a desejar em alguma forma, tivemos três embates que me deixaram bastante surpreso e garanto que não fui o único proveniente desse sentimento.

Primeiramente tivemos o combate que pode ser facilmente considerado o melhor do evento. Mansoor e Cesaro protagonizaram um espetáculo, com o suíço entregando todo o seu já conhecido e louvável repertório de golpes e com o lutador local a mostrar muito mais do que tínhamos visto em suas poucas lutas no NXT. Mansoor se mostrou um lutador consistente, com um arsenal digno, com o tempo de luta perfeito, sabendo vender muito bem os duros golpes de Cesaro e ao mesmo tempo desferindo toda sua cartela de movimentos, foi o bastante para conseguir sua vitória – mais do que esperada por motivos óbvios – com um belo Moonsault, provando a todos presentes e aos espectadores ao redor do mundo que ele tem potencial para se destacar na companhia. Mansoor pode muito bem ser um cara a ter um bom destaque no NXT, o saudita tem talento e potencial para entrar na rota do cinturão norte americano do show das quartas-feiras, ele não é apenas o cara que seu sucesso tem que se prender aos shows no seu país natal e sim que tem totais condições de proporcionar grandes momentos dentro da empresa.

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O segundo combate que vale a pena ser aprofundado é AJ Styles vs Humberto Carrillo, válido pelo cinturão americano. Em pouco mais de 12 minutos presenciamos a genialidade já conhecida e admirada de Styles – que é claramente um dos melhores wrestlers do mundo, mesmo aos 41 anos – contra um jovem que é extremamente talentoso, que representa o estilo aéreo de uma forma magnífica, que merece todo esse destaque que vem ganhando ultimamente após ser selecionado pelo Raw no Draft 2019. Humberto Carrillo se comporta no quadrilátero com total confiança e entrega lutas que faz o espectador se surpreender e ficar ligado o tempo todo em sua atuação. Carrillo e Styles entregaram um combate excelente, com o campeão a mostrar mais uma vez wrestling de alto nível e o desafiante provando que não é apenas mais um high flyer que deve ser esquecido – como vários vem sendo durante os últimos anos. Styles saiu vencedor como previsto mas, a vitória maior foi dos fãs que tiveram o privilégio de acompanhar uma contenda excelente. Carrillo tem tudo pra ser o próximo high flyer de sucesso na WWE, pegando a tocha de Rey Mysterio, que já não é o mesmo há um bom tempo, não ouso dizer que Carrillo tem potencial pra ser um dos maiores lutadores aéreos da história da empresa, todavia esperamos que a WWE enxergue e aproveite todo o talento do mexicano e que o coloque no lugar que merece, o topo.

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O último combate de destaque foi um feito histórico, sim, Natalya vs Lacey Evans foi algo para entrar para a história e não tem como negar. Em um país em que as mulheres são oprimidas e privadas de vários direitos, assistir a uma luta feminina não representa apenas a evolução dentro da WWE, representa esperança para todas as que estiveram presentes no estádio. Era impossível não notar a emoção de todas as que tiveram a honra de acompanhar duas atletas protagonizar o momento mais emocionante da noite, olhar os sorrisos de garotas, senhoras, de todo o público feminino em geral ao se sentirem na esperança de que o futuro pode ser mais igualitário foi de surgir lágrimas nos olhos de todos os espectadores ao redor do mundo que tem o mínimo de empatia com a situação.

Independente do resultado, independente dos trajes usados durante a luta, o combate foi sobretudo uma representação social de extrema importância e que devemos aplaudir de pé aos diretores da WWE e ao governo Saudita que vem mostrando evoluções em relação a um passado em que mulheres não podiam nem entrar em um estádio. Essa não é a vitória da Natalya e sim a vitória dos direitos feministas que são sim importantes para uma evolução social da humanidade.

Chegamos ao fim de mais uma edição do Terceira Corda, como sempre deixem nos comentários a opinião de vocês sobre o evento e sugestões para as próximas edições do quadro, eu sou Junior Freitas e vejo vocês em breve aqui no Wrestlemaniacos. Até mais!

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