Wrestlemaníacos Especial: Os altos e baixos da luta-livre feminina antes do GLOW

Entenda como era a luta-livre feminina antes da empresa que inspira a nova série da Netflix

Para quem ainda não ficou sabendo, no dia 23 deste mês de junho a Netflix irá estrear a série GLOW, “Gorgeous Ladies of Wrestling”. GLOW será uma série que retratará a história da promoção de luta-livre feminina de mesmo nome. Historicamente, ela é importantíssima para o Pro-Wrestling feminino no ocidente.  Dito isso, hoje iremos mostrar um pouco do que aconteceu antes do surgimento da GLOW no Pro-Wrestling norte-americano.

Nomes como Mildred Burke, Mae Young, e Fabulous Moolah são os primeiros que surgem quando se trata de luta-livre feminina antes dos anos 90. Entretanto, sua história começa desde a época de Frank Gotch. Antes mesmo de Lou Thesz começar sua carreira. Na época de Gotch, era comum a existência de caravanas de lutadores que desafiavam o público para causar comoção e surpresa com suas habilidades. Alguns grupos de mulheres surgiram neste período desafiando homens e utilizando seu sex appeal para atrair o público. Josie Wahlford foi a primeira a se auto-proclamar campeã mundial. Seu cinturão se tornou o único cinturão feminino até a década de 50. Outras lutadoras como Laura Bennett e a Masha Poddubnaya emergiram como nomes de sucesso naquele período.

Entretanto, estas três não eram estrelas, apesar do sucesso encontrado como campeãs. A verdade é que o Pro-wrestling feminino era ainda um nicho pequeno. Algumas lutas protagonizavam lutadoras nuas ou ao menos com os seios descobertos de modo a atrair o público. As coisas apenas se modificaram na década de 10, quando Cora Livingston surgiu. Após vencer Bennett, Livingston mudou a reputação das lutas femininas, deixando de ser algo relacionado a prostíbulos. Muito pelo apoio de seu marido, Paul Bowser. Ele foi um homem que pode ser considerado um dos principais promotores regionais de Pro-Wrestling na era pré-WWE.

Este relacionamento abriu portas para que as mulheres recebessem maior prestígio e respeito nos ringues. Livingston passou a aparecer com frequência em shows de maior importância da época. Apesar de ter saído da condição anterior, a luta feminina ainda era vista como algo bizarro, curioso, o que de certa forma ainda era uma maneira de atrair o público.

Com a revolução no cenário do Pro-Wrestling na década de 20 (deixando de ser um espetáculo pra valer e se tornando um show, um espetáculo coreografado), a abertura para as mulheres aumentou. Visto que não havia mais o sentimento de ultrage da época em ver duas mulheres se degladiando em lutas reais. Afinal, tudo aquilo era apenas ensaiado.

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A aposentadoria de Livingston em 1925 aposentou também o cinturão feminino, que Livingston fez questão de manter em sua posse. Entretanto, sua influência gerou o surgimento de novas lutadoras, como Clara Mortenson, que dominou a cena durante quase toda a década de 30. Ela chegou a ser a campeã feminina durante 5 anos. A pessoa que derrotou Mortenson foi justamente a primeira grande estrela feminina do ramo: Mildred Bliss. Mais conhecida pelo ring name “Mildred Burke”.

Em 1932, Mildred era uma garçonete de 18 anos trabalhando em uma reserva indígiena em Gallup, Novo México, quando conheceu seu futuro marido, um homem que a levou a Kansas City e a apresentou ao mundo da luta-livre. Bliss amou tudo aquilo. Apesar do casamento não ter durado, sua fascinação pela luta persistiu. Com um porte físico forte como poucas mulheres conseguiam ser, Bliss chamou atenção tanto pela sua habilidade atlética quanto por sua beleza.

O porte físico de Burke era de causar inveja a muitos wrestlers masculinos

Mas beleza e porte físico não seriam o suficiente. Então Bliss procurou por Billy Wolfe, veterando da Priemira Guerra que era algo como um midcarder na divisão de pesos-médios na região centro-oeste dos Estados Unidos antes de passar a se tornar um treinador de lutadores. O primeiro contato entre os dois teria acontecido em 1935. Diz a lenda que Wolfe não queria treiná-la, mandando um lutador aplicá-la um Body Slam.

Entretanto, ela reagiu e aplicou o Body Slam neste lutador, o que acabou convencendo Wolfe de que deveria treiná-la. O treinamento foi tão intenso que os dois acabaram se casando. Mildred Burke acabou se tornando uma atração de topo dos cards, chegando a defender seu cinturão em uma luta que teve 18 mil expectadores, número que mesmo nos dias de hoje é notável.  O sucesso de Burke levou a Wolfe a realizar uma parceria com a N.W.A. A parceria determinava que ele faria o booking e que seria o treinador de todas as lutadoras femininas da aliança. Isso acabou gerando problemas no casamento, e o casal acabaria por se separar em 1952.

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Por que eu estou falando da separação? Bem, acontece que a separação foi um desastre para a luta-livre feminina. Mildred Burke formou sua própria federação, a World Womens Wrestling Association, e Wolfe usou sua influência para manter a WWWA isolada da NWA ao mesmo tempo em que promovia sua afilhada June Byers como o novo grande nome do cenário. Eventualmente uma luta entre Byers e Burke foi marcada, sendo uma melhor de 3.

Burke teria sido informada de que iria perder o primeiro fall e vencer os outros dois. Porém Wolfe e a NWA a enganaram, encerrando a luta após o primeiro fall, dando a impressão ao público de que Byers havia derrotado Burke limpamente no ringue. Desprestigiada, restou a Burke se tornar treinadora de lutadoras na Califórnia pelo resto de sua carreira, enquanto Byers seguraria o cinturão até se aposentar, em 1956. A aposentadoria marcou também a retirada de Wolfe do mundo do Pro-Wrestling feminino. Surge então a era Moolah.

Fabulous Moolah era tão especialista em jogos de bastidores quanto Hulk Hogan na WCW dos anos 90.

Sem Wolfe, a NWA resolveu apostar suas fichas na lutadora de então de 33 anos Lillian Ellison, já uma veterana na época. Trabalhando com o promotor Jack Pfefer, que mudou seu ringname para The Fabulous Moolah. Ellison se tornou a nova campeã feminina da NWA, mesmo sendo medíocre no ringue. Sua real habilidade era atrás do ringue. Ela se tornou a substituta de Billy Wolfe no posto de poder do Wrestling feminino. Ao criar a Girl’s Wrestling Enterprise, ela assumiu o controle de todo o booking das mulheres da NWA. Além de começar a treinar lutadoras.

Além disso, ela estabeleceu boas relações com promotores de outras regiões, como Vince McMahon Sr. Moolah usou de seu poder para se manter como campeã, perdendo-o em algumas ocasiões mas logo recuperando-o. Moolah manteve o cinturão em suas mãos por um período de 28 anos. Ela utilizava o fato de ter o poder fora dos ringues e também de treinar todas as outras lutadoras. Com isso, ela basicamente controlou todo o cenário da luta feminina no período.

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Os dias de destaque de Mildred Burke estavam para trás. Com Moolah, o cenário feminino diminuiu. Apesar de sua relação com os McMahon fazer ela parecer um grande e importante nome (visto a capacidade da WWE de reescrever a história). Ao invés de estar no topo dos eventos, poucas  vezes as lutas femininas sequer apareciam, ficando reclusas às primeiras lutas. Enquanto isso ia acontecendo, a luta-livre no Japão floresci. Com o surgimento da All Japan Women’s Pro-Wrestling, que fazia suas lutadoras gravarem discos e transformou suas próprias lutadoras em grandes estrelas no Japão. Moolah, por sua vez, recebe acusações de ter transformado a luta feminina em um prostíbulo. Ela teria utilizado seu poder na esfera do Wrestling e o fato de estar agenciando todas as lutadoras que treinava para transformar essas atletas em prostitutas de luxo, que vendiam seus corpos para os lutadores promotores e fãs de pro-wrestling.

Com a liga feminina decaindo na NWA e a divisão feminina da WWF no poder de Fabulous Moolah, o surgimento de alternativas começaram a surgir. Foi neste período em que a Gorgeous Ladies of Wrestling (GLOW) surgiu. Numa tentativa de trazer de volta os tempos aéreos da luta-livre feminina.

Num período em que a luta feminina recebe novamente maior destaque, com nomes como Bayley, Sasha Banks e Charlotte surgindo e se exibindo em altíssimo nível, conhecer a história da GLOW é uma oportunidade de vermos onde tudo foi recomeçado. Além de também saber como a empresa evitou que a era de domínio de Fabulous Moolah destruísse de vez o cenário da luta-livre feminina.

Gorgeous Ladies of Wrestling, também conhecido como GLOW, foi uma empresa de wrestling profissional para mulheres que surgiu em 1986. No Brasil, foi exibido no SBT com o nome de “Luta Livre de Mulheres”. Entre uma luta e outra, havia uma cena de comédia com as participantes. O show era filmado no Riviera Hotel em Las Vegas, Nevada.

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Escrito por Rodrigo Peret

Estudante de Jornalismo, redator e colunista do Wrestlemaníacos. E ídolo do Izac Luna.

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